ESCÂNDALO! QUESTÃO 61 DO VESTIBULAR UEL 2010 VAZOU! ou Como fazer uma boa propaganda sensacionalista (tirado na cara-de-pau do Não Salvo):

Falô aí.

Esboçado por Maurício Pitta às 22:46
Tags: Comédia, Cursinho e Colégio, Psicoses, Vídeos
| Tentaram tapar na boca Uma critica à certa realidade O terceiro B apresenta: ‘Um ensaio sobre a vaidade’ Era um em sete pecados E governava uma escola de nome Eram, os outros, alunos sentados Que ganharam um dia um certo microfone: Era uma sala grande Com cadeiras em fila, como essa em que você está Era um palco também grande, cheio de cortina Como o que estamos nós, aqui, do lado de cá. Imaginem vocês que um dia Chegou a essa escola sem par Um projeto que nunca se via Mas que cumprir se devia E também se devia apresentar. Pensou-se logo em um clássico Um drama plácido De fazer chorar Desistiu-se, no entanto, e fácil Ao sentir num olho da cara O que aquilo podia custar Depois de labuta labuta labuta Depois de muito se pensar Escolheu-se uma simples peça Cuja intenção não era polemizar Aqueles que são – Cláudio Simões Era o que iria se apresentar Era! Pois chegou o belo dia Em que o tal pecado veio a nós gritar E ele dizia assim E ele dizia assado Não passava de obsessão Como é comum a um mero pecado E ele mandava que não E, no entanto ficava parado E o tal pecado moralista Dizia se tratar de um assunto delicado E o teatro que falava de AIDS De homossexualismo, de amor Devia ser trocado por outro Um em que o pecado encontrasse Aquilo que julgava ser pudor | Os tais alunos indignados Não se conformavam, porém. Estavam sendo censurados Cidadãos censurados! Neste século! Veja bem! Censurados por falar de sexo? Censurados por puro preconceito? Censurados por falar de amor? Ou por que falar de uma doença é GRANDE falta de respeito? O que sei é que sem querer muito bem Quase chegamos aqui ao teatro Sem algo que se pudesse apresentar Sem nada a ser representado No entanto achamos por bem Não ocupar mal o que seria seu tempo vago E, para contar nosso ano, Nos utilizamos deste pequeno espaço Um teatro, Uma rima Que talvez grande mal vá nos causar Mas creio que vocês viram Que AIDS, homossexualismo e amor Não foi o assunto de que viemos tratar Falamos da vaidade um grande pecado É quase religioso se você bem pensar E aqui satisfeitos terminamos Para não mais do seu tempo ocupar Pedimos ainda desculpas Aos professores que tentaram ajudar Mas sempre soubemos: pecados são maus E nunca vão conseguir mudar E agora que temos este espaço Para divertir, para representar Dizemos que com um pouco menos de prazer Outra peça iremos apresentar Faustino, um ferreiro nordestino Peça de Eliane Ganem Sobre o homem que quer ser rico Resolvemos apresentar por bem Sendo assim esperamos que divirtam-se E que essa noite possam apreciar A peça em que tanto trabalhamos E que apenas por vocês é que vamos representar Desejamos uma boa noite E no mais somos muito gratos E claro, desejamos ainda Um ótimo espetáculo |
Esboçado por Maurício Pitta às 15:05
Tags: Cursinho e Colégio, Desabafo, Reflexão, Sociedade
Outubro de dois mil e nove. Dia vinte. Trinta e quatro corações ansiosos por um momento de esplendor ou queda, quem sabe? Chuvas tortuosas no dia anterior, um céu nublado, dezenas de objetos a serem carregados. Dúvidas pairando no ar e incerteza na mente de todos. Nervosismo. Esses foram fatos que marcaram os momentos anteriores à apresentação do teatro Faustino, pela turma do 3°B matutino do Colégio de Aplicação. Sim, eu estava ali no meio, e não menos que os outros, senti as tribulações batendo à porta.
Ele sugeriu então que fizessemos um musical - por que não? Hair, relativo à contracultura dos anos 60/70, era um caminho certeiro que podíamos trilhar. Imagine: uma crítica a sociedade de consumo que impera desde o final da Segunda Guerra Mundial, propondo uma utopia baseada nos princípios de paz, amor, sexo e liberdade - as melhores coisas da vida - e com música! Precisava de mais? Infelizmente, não era esse o caminho que poderíamos trilhar para o teatro - quem sabe pelo sistema vigente, autoritário, que se esconde debaixo dos panos da nossa democracia indireta, exercida por líderes que muitas vezes nem sabemos por que escolhemos; ou simplesmente por uma mentalidade retrógrada e conservadora. Musical não podia ser feito e ponto final. Mas era o musical ou o tema que desagradava o poder vigente? Hair, mais uma vez, era proibido por problemas morais que já deviam ter sido extirpados daqui desde o século passado.
Descartaram nosso teatro menos de dois meses antes da apresentação; e vieram dizendo que éramos capazes, que iríamos fazer um bom trabalho, que confiavam na gente. Mas não ofereceram suas mãos; apenas suas garras. Tudo o que queríamos discutir de maneira saudável para o bom andamento do teatro era sumariamente ignorado. Cortamos as falas fortes, os palavrões, as cenas que insinuavam o sexo. Enquanto isso, a televisão mostrava em horário nobre protagonistas de novela em cenas dignas de bordel, como se fosse um pornô autorizado. Que sociedade contraditória a que temos, não é mesmo? O que queriam de nós, afinal?
Houve uma rotina cansativa de ensaios que perduraram por um mês, com várias crises internas, mas que surgem em qualquer relacionamento social. Tivemos de correr atrás de apoio, fizemos várias "ações entre amigos" em busca de dinheiro que ajudasse no teatro, nos atropelamos vários momentos na divulgação, no cenário, no próprio figurino. O cartaz, por exemplo, saiu faltando aproximadamente uma semana para o evento. Mas, mesmo assim, nos unimos e superamos o desafio, com a ajuda de pessoas especiais que desempenharam o papel que na verdade deveria ter sido o de outros, que apenas vetaram nossas ações e taparam nossas bocas. É como foi escrito no folder do nosso teatro, recebido na entrada do Ouro Verde por mais de oitocentas pessoas: "Sozinhos não somos nada, mas unidos somos tudo, em que tudo acaba em uma amizade, capaz de superar qualquer dificuldade."
Agradeço a todos que deram o apoio necessário, ao Cláudio Zimbábue, a outros professores que também ofereceram seu chão para nossa preparação, a todos que acreditaram em nós, a nossas famílias, amigos, à Grazi do Sigma que me deixou colocar alguns convites na Secretaria, à equipe do Ouro Verde que nos aguentou carregando coisas de lá pra cá desde terça-feira, aos hippies do Calçadão por persistirem lutando contra o sistema, aos assaltantes de segunda a noite, que me proporcionaram um fila-bóia na confraternização do teatro do 3°A, dia 19, lá no Vira Verão; também à equipe da Milano por ter aguentado um monte de gente consumindo pizzas por lá terça-feira, até altas horas, ao Rico por ter filmado, estado lá, dado apoio e me emprestado a camiseta branca e os óculos escuros; e, enfim, às garotas que riram da minha cara quando eu fui no Camelódromo com uma piruca branca, no almoço do dia 20, com o Zapata.Esboçado por Maurício Pitta às 19:57
Tags: Baderna, Comédia, Cursinho e Colégio, Desenho