(talvez eu não seja a pessoa mais indicada pra falar sobre o assunto, mas sou um inquieto que tem pensado sobre, e acho que isso basta pra iniciar uma discussão.)
Nesse quase um ano em que tenho me entitulado "estudante de design", estive a pensar sobre vários assuntos que fazem parte do escopo da área. Inclusive, confesso, pensei mais de uma vez em largar o curso - em alguns momentos, isso passa ainda vagamente pelo meu confuso encéfalo. Mas hoje resisto mais, e tenho maior determinação em terminar e seguir em frente, seja fazendo especializações ou outra graduação - ainda sou novo, dizem, e não penso que tentar outra coisa seja tempo perdido.
Como provavelmente já dissera outrora, comecei a amadurecer minhas ideias principalmente a partir do N Design do ano passado, em Curitiba. Por lá, também amadureci um pouco como pessoa, o que me favoreceu por completo no âmbito acadêmico. Desde então, tenho enfrentado a faculdade com mais empenho e planejamento futuro. Também a partir de lá tenho pensado mais a fundo sobre o que é design e o que significa ser um designer.
Foi lá, aliás, que "participei" de uma discussão sobre Filosofia do Design, com o Marcos Beccari e Ivan Mizanzuk, que mudou minha maneira de enxergar o campo - as aspas se devem ao fato de que eu não participei de fato da discussão, já que eu mesmo não tinha muito o que dizer naquele momento. Agradecimentos ao meu veterano Fernando Cacciolari que me levou por acaso à discussão depois de me ver perdido em uma fila de uma outra oficina. A partir daquele momento, passei a me interessar no assunto, já que tenho um interesse de vida pela Filosofia.
Venho acompanhando discussões sobre, mesmo que periodicamente me distancie desse assunto por semanas. Inclusive, venho acompanhando o "irmão" desse "movimento", se posso chamar assim, que é a filosofia AntiDesign, expressada principalmente a partir do AntiCast, um podcast bem-humorado sobre design e cosas mas. Me interessei pelos dois não só devido a minhas inconstâncias sobre a profissão, mas também por uma necessidade de entender melhor tudo isso.
Continuando o que vinha dizendo no segundo parágrafo, durante esse primeiro ano como designer em potencial, tentei observar os problemas e incoerências que circundam o meio. Algo que sempre esteve presente na caminhada, inclusive acadêmica, foi o papel do designer. Para nós, somos deuses, porém incompreendidos e vilipendiados pelo resto da sociedade. Que dó! Temos a solução para todos os problemas que envolvem necessidades humanas, mas eles não sabem disso. Uma visão um tanto mesquinha que temos de nós mesmos, não?
O designer tem uma sede por definição. Ele sempre precisa ser algo. Se não deus, é algum tipo de mágico ou cientista. Talvez artista, artesão, arquiteto ou engenheiro. Ultimamente, quer ser até administrador. Não acho isso ruim, afinal a interdisciplinaridade é um dos pontos fortes da profissão, mas essa vontade desenfreada de ser três em um tem inflado seu ego a ponto de o próprio definir-se como deidade.
Devido à esse salto-alto que o designer insiste em usar, estamos confundindo a defesa da profissão com agressão sem sentido. Não discutimos mais nosso papel na sociedade ou as consequências de nossa profissão, e sim se um personagem de novela representa bem um designer. Olhamos com ojeriza àqueles que ousam falar logomarca por uma simples ignorância etimológica e nos comparamos com médicos quando o assunto é respeito à profissão, como se o respeito devido à cada uma tivesse de vir do mesmo lugar. Nos orgulhamos de ter um diploma e de ser uma profissão reconhecida na academia, enquanto centenas de designers se formam sem preparação para o mercado. Bradamos o baixo nível de exigencia de nosso curso pelo fato não termos muitas provas pra fazer, como se já entrassemos na universidade sabendo de tudo - e depois reclamamos dos micreiros.
Deixemos de nos proclamar designers-deidades e passemos a nos considerar pessoas comuns, parte de uma cultura que se desenvolve há milhares de anos. Quem sabe assim não conseguimos o respeito tão almejado?
Falô aí.


Infelizmente tenho mudado de ideia sobre a profissão do designer. Acho que é uma profissão que entedia fácil e que tem um difícil relacionamento com o cliente. Antes via como a profissão quase como a do "inventor", era uma profissão incrível em que se via uma necessidade e elaborava algo para suprí-la. Que ingenuidade, no último semestre descobri por livros de marketing que inventar algo precisa fazer inúmeras análises e aconselha-se que não seja lançado no mercado algo tão inédito.
ResponderExcluirEnquanto isso vi alguns trabalhos independente, são fascinantes, a maioria não é comercial.
Antes mesmo de terminar a faculdade já estou entediada e penso em trancar. Olho para a profissão como só mais uma que corre atrás de tendências o tempo inteiro para sobreviver, que se submete a opiniões de clientes contraditórios.
Se o design no Brasil vai evoluir, acredito que sim, mas vai na verdade vai ignorar os potenciais daqui, como sempre, em qualquer outra profissão.