Incrível perceber que, mesmo sem escrever há um bom tempo, as estatísticas mostram que eu ainda recebo visitas por aqui. Pode-se até dizer que a maioria seja de paraquedistas de Googles e afins que vasculham a Internet em busca de pornôs e modos de aprender inglês fáceis e baratos, mas isso não anula o fato de que esse blog não está totalmente às traças. Tirando os anônimos que pousam sem querer por essas bandas, alguns amigos costumavam dar seus ares de graça, mesmo que silenciosos e muitas vezes pouco atentos ao que está escrito.
Diria que isso é uma pena, se eu não levasse em conta a vida de cada um. Se há uma coisa que eu (re)aprendi nesses últimos anos é que há vida fora dos limites da interface eletrônica. Por mais que a interrede nos traga informações ditas globalizadas, de inumeráveis locais do planeta, elas não passam disso, ou seja, são apenas dados. Não têm volume, consistência, sabor, ritmo. Podem não ter sentido nenhum se não as atribuirmos um. O mundo lá fora, quando se desvia o olhar do monitor, pode as vezes parecer monótono ou, pelo contrário, extremamente cansativo - mas nos trás muito mais do que os milhares de pixels do LCD.
Esse blog virou o clichê da maioria dos blogs dessa época, sobretudo dos ditos "pessoais". Se desgastou. No entanto, não penso em abandoná-lo. Queria, sim, renová-lo, mudar o foco - planos esses que sempre são procrastinados, como quase todo plano de fim de ano.
Ao longo do ano que se despede, tive mudanças na concepção do mundo, sobretudo do ponto de vista profissional. Anteriormente, não planejava exatamente o que ia ser do futuro. Inclusive, escolhi cursar Design Gráfico em cima de argumentos dúbios e sem consistência. Na realidade, eu não sabia o que fazer, e isso me atraiu por questões de afinidade com alguns hobbies. Confesso que ao longo do ano tive diversas crises, não expressadas por aqui. O curso não me satisfazia e achava que nada daquilo serviria pra mim. Mas aguentei. Amadureci. Ganhei algo que poderia chamar de perspectiva. Percebi algo que os vestibulandos, loucos por deixar de estudar, não percebem - aquilo é só o começo.
Daí planejei diversos futuros para mim, sempre mantendo uma fluidez, necessária para não cair em ilusões e dogmas que poderiam me levar para decepções infrutíferas, como é o caso de um emprego de merda. Parecia até uma criança pensando no que ser quando crescer. O que me apetece ultimamente é o ramo do audiovisual. Cinema, vídeo, essas coisas. As possibilidades me parecem tantas... não sei como não via isso há anos atrás.
E não é difícil que tudo isso mude de hoje para amanhã.
Percebo hoje o que dizem sobre as experiências e sobre como a bagagem cultural influencia na vida. Volta-se à questão da informação. Velhos não são sábios por terem mais informação que os jovens. Sabedoria, ou melhor, conhecimento vem das experiências e o modo como você lida com elas. Não conseguiria chegar às mesmas conclusões há um ano atrás porque naquele momento não tinha vivido o necessário para pensar nisso.
Não gostaria que, seja quem estiver lendo, pensasse nisso como uma consideração final. Não serve nem de satisfação. Este espaço não deve satisfação a ninguém. A data de hoje - ocaso do ano, tem sim influência sobre a ocasião da escrita de tal texto. Não vou desejar um feliz ano novo, pois até eu já fiquei enjoado de tanto ver isso por aí. Penso só em um plano que preciso finalizar pro próximo ano - e que possivelmente vou continuar empurrando com a barriga: recomeçar o blog.
Falô aí.
Obs.: ainda me orgulho do post de ano novo do ano passado, périplo de ano novo. Naquele tempo a prática ainda me fazia saber me expressar por palavras.
Obs. 2: acho que estou na mesma situação que a Nanda, quando de seu último post do Mas Hein?!?. Saudades das experiências compartilhadas.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
só mais um post
3 comentário(s):
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Sobre o ocioso que aqui escreve...
- Maurício Pitta
- Estudante de Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina; músico e escritor - amador em ambos, e em constante construção; pseudopensador nas horas vagas; um (fracassado/persistente) aproveitador da vida.
Talvez o mais avassalador efeito alucinógeno não seja o de drogas, mas sim o do ócio, puro e nefasto, que nos tenta irresistivelmente à procrastinação, mas que ao mesmo tempo cria poderosos frutos criativos em nossa consciência.
"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."
BUKOWSKI, Charles. PULP, 1994, tradução de Marcos Santarrita.


o lance de decidir embasados por em cima de "argumentos dúbios e sem consistência" acontece constantemente em minhas decisões. Ja tentei ser igual o seu irmão e planejar tudo, estabelecer metas e afim.. o problema que eu não sou disciplinado e falta maturidade para lidar com as adversidades constantes no meio do caminho, muitas vezes traçadas por tentativas de planejamento.. kkkk
ResponderExcluirO que quero dizer é que acho que vc escolheu o curso certo, só pelo fato de hoje estar lendo alguns posts que na época não tive a oportunidade de ler ( por manter afastado das telas de lcd) percebo que você evoluiu muito, e o curso esta contribuindo para o seu crescimento. Tvz seja uma visão de um leitor desatento, quem sabe? porem acredito que estais no caminho certo, que como vc disse é só o começo...
hoje estou em um emprego de merda...não valorizado explorado até o ultimo, e descartado quando a empresa não precisar.. e o que me alimenta a minha vida para eu levantar todo dia de cabeça erguida e aceitar tal condição é a ilusão, e aquele sentimento de "o que vou ser quando crescer?quando passar este emprego?"
Brother me surpeendi muito com sua escrita e sua comunicação, consegue sim expressar por palavras. Atributo que falta para mim devido meu vocabulário reduzido e o meu jeito prolixo.
kkkk.. po desejei feliz anno novo no post de janeiro.... mas foi de coração brother.. abs
Poxa, valeu! Apesar de você dizer que eu tenho uma boa comunicação, me considero um grande prolixo também, sobretudo quando converso oralmente.
ResponderExcluirConsigo levar as coisas porque sei que haverá luz no fim dos diversos túneis que constantemente cruzamos, ainda mais levando em conta que temos condições de seguir adiante. Me entristeço quando vejo a multidão que não tem condições necessárias pra sobreviver no mundo, sendo que o caminho para eles é bem mais esburacado que o nosso. Nessas horas, a gente encontra força pra não parar por algumas tolices e dificuldades temporárias.
Abraço!
com certeza ..eu olho muitas vezes o lado bom das pessoas que muitas vezes eu invejo "putz.. pq comigo não acontece isso, pq eu não sou assim" e me rebaixo... e da vontade de desanimar..´sabe o lance de ver o sucesso a imagem, e nãos os tombos que levam?
ResponderExcluirMas quando olhamos pessoas em condições piores que a nossa vencendo de cabeça erguida.. ai mermão..é um tapa na cara.. uma lição para continuarmos firmes... hehhe