Na ECO '92, há dezoito anos, Severn Suzuki discursou algo que calou o mundo durante pouco mais de cinco minutos. Não sei sobre o mundo, mas pelo menos o efeito foi visto na conferência, realizada no Rio de Janeiro. Seu discurso tratava-se de problemas ambientais, mas trás a tona as hipocrisias e inércias de nós, humanos. O vídeo, de 6 minutos, faz pensar. E muito. O que fazemos de verdade, por trás de discursos e frases feitas?
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| Severn aos 27 anos |
Não posso dizer que sou um grande prejudicado na situação atual. Assim como Severn, vivo de um jeito que não posso reclamar. Tenho o que comer, o que beber, aonde dormir; tenho condições de estudar, trabalhar e aproveitar cada momento. Mesmo assim, eu, como tantos outros, desperdiço o que parece abundante e esqueço o quão escasso é o mundo. Não apenas em recursos, mas também em momentos. Dezoito anos depois do discurso de Severn, estou eu virando apentas mais um parasita?
Os problemas são muito mais complexos do que a gente pensa. As respostas parecem tão longe, mas não são impossíveis de se alcançar. São apenas difusas. As frases que a garota dizia no vídeo provocaram-me arrepios, como se estivesse desvendando, pouco a pouco, um grande mistério. Um certo receio de descobrir quem sou eu afinal e qual o meu papel nesse mundo. A verdade como uma lâmina perpassando o corpo. Talvez seja como um professor me dissera anos atrás: o espanto nos impele ao conhecimento.
Vídeos como esse podem nos fazer sentir essa lâmina, empurrando-nos por pelo menos um momento no problema. Talvez ele não mude o mundo, mas vale a pena tocar um pouquinho a consciência do espectador.
Falô aí.



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