quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

'92 e hoje

Na ECO '92, há dezoito anos, Severn Suzuki discursou algo que calou o mundo durante pouco mais de cinco minutos. Não sei sobre o mundo, mas pelo menos o efeito foi visto na conferência, realizada no Rio de Janeiro. Seu discurso tratava-se de problemas ambientais, mas trás a tona as hipocrisias e inércias de nós, humanos. O vídeo, de 6 minutos, faz pensar. E muito. O que fazemos de verdade, por trás de discursos e frases feitas?

Severn aos 27 anos
Não posso dizer que sou um grande prejudicado na situação atual. Assim como Severn, vivo de um jeito que não posso reclamar. Tenho o que comer, o que beber, aonde dormir; tenho condições de estudar, trabalhar e aproveitar cada momento. Mesmo assim, eu, como tantos outros, desperdiço o que parece abundante e esqueço o quão escasso é o mundo. Não apenas em recursos, mas também em momentos. Dezoito anos depois do discurso de Severn, estou eu virando apentas mais um parasita?
Os problemas são muito mais complexos do que a gente pensa. As respostas parecem tão longe, mas não são impossíveis de se alcançar. São apenas difusas. As frases que a garota dizia no vídeo provocaram-me arrepios, como se estivesse desvendando, pouco a pouco, um grande mistério. Um certo receio de descobrir quem sou eu afinal e qual o meu papel nesse mundo. A verdade como uma lâmina perpassando o corpo. Talvez seja como um professor me dissera anos atrás: o espanto nos impele ao conhecimento.

Vídeos como esse podem nos fazer sentir essa lâmina, empurrando-nos por pelo menos um momento no problema. Talvez ele não mude o mundo, mas vale a pena tocar um pouquinho a consciência do espectador.

Falô aí.

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Sobre o ocioso que aqui escreve...

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Estudante de Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina; músico e escritor - amador em ambos, e em constante construção; pseudopensador nas horas vagas; um (fracassado/persistente) aproveitador da vida.

Talvez o mais avassalador efeito alucinógeno não seja o de drogas, mas sim o do ócio, puro e nefasto, que nos tenta irresistivelmente à procrastinação, mas que ao mesmo tempo cria poderosos frutos criativos em nossa consciência.

"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."

BUKOWSKI, Charles. PULP, 1994, tradução de Marcos Santarrita.