domingo, 10 de janeiro de 2010

Pan cogitans

Civilização, progresso, tecnologia. Todas, palavras do cotidiano humano, presentes desde os primórdios. Os ancestrais descobriram o osso como instrumento; não parou desde então. Fogo, fala, escrita, leis, governos, bombas nucleares, estações espaciais. O homem erigiu impérios e monumentos em formas de falo, para saciar sua sede por controle. Mas se contradiz, se fere, se mata. Como dizia a velha música dos Titãs: o homem cria e também destrói. No fim das contas, somos apenas símios com complexo de deidade.

A seguir, um soneto ociozapazista, feito no Twitter entre as últimas horas do dia 9 e as primeiras do dia 10 de janeiro de 2010, seguido por um clássico trecho do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Na selva nasceu, mas lá não morreu
Entre os galhos, os rios e os cipós
Com o tempo, a dor da perda sofreu
Era acuado pelos Tapajós.

Mas um dia, o pegaram de surpresa
Enquanto penteava a macacada
Macacada fugiu, e ele viu a certeza:
O susto vinha de uma ex-namorada.

Apressado, se mudou ao continente
De nome América, palco de shows
E lá, viu pessoal 'inteligente'.

Por lá, subiu pelos arranha-céus;
O homem, progresso, era formiga;
Na morte, pulando, deu muitos 'créus'.

(Gustavo Zapata e Maurício Pitta)



Falô aí.
Obs.: esse texto guarda uma certa relação com o anterior... coincidência?
Obs. 2: foi hoje que acabou aquela novela do macaco?

2 comentário(s):

  1. Passei por aqui, mas sem vontade de fazer um post decente. Humpf!!

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  2. Acho que uma das grandes diferença entre nós e os macacos é que ele não tem consciencia do seu fim. Nós primatas com complexo de deidade além de termos consciência disto, ainda vivemos e revivemos o passado e presente e futuro.

    Parabéns ai BICHO, agora já é um universitário....

    Abs...

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Sobre o ocioso que aqui escreve...

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Estudante de Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina; músico e escritor - amador em ambos, e em constante construção; pseudopensador nas horas vagas; um (fracassado/persistente) aproveitador da vida.

Talvez o mais avassalador efeito alucinógeno não seja o de drogas, mas sim o do ócio, puro e nefasto, que nos tenta irresistivelmente à procrastinação, mas que ao mesmo tempo cria poderosos frutos criativos em nossa consciência.

"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."

BUKOWSKI, Charles. PULP, 1994, tradução de Marcos Santarrita.